31ª Semana do Tempo Comum
Solenidade de Todos os Santos
Apocalipse 7,2-4.9-14: «Vi uma multidão imensa»
Salmo 24: «São estes os que procuram o Senhor»
1 João 3,1-3: Veremos a Deus tal como ele é Vede que grande amor o Pai nos concedeu
Mateus 5,1-12a: «Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa»
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Sentou-se, e seus discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los:
«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
Felizes os aflitos, porque serão consolados.
Felizes os mansos, porque possuirão a terra.
Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.
Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Felizes os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
Felizes sois vós quando vos injuriarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus».
Palavra da Salvação. Glória a vós, Senhor.
Comentário
Para os primeiros cristãos, celebrar Todos os Santos era uma maneira de recordar e manter presentes os cristãos falecidos, a quem chamavam «santos». Na Idade Média, estabeleceu-se uma distinção entre os cristãos considerados exemplares e os demais falecidos. Isso refletia a mentalidade da época, que falava de três realidades na Igreja: a triunfante, formada pelos santos; a padecente, constituída pelos cristãos em processo de purificação; e a militante, formada por aqueles que ainda peregrinam neste mundo.
O livro do Apocalipse, na primeira leitura de hoje, convida-nos a refletir sobre os salvos, redimidos pelo sangue de Cristo. O texto descreve «uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas». É uma visão que destaca a universalidade da salvação.
A segunda leitura enfatiza o amor de Deus, que, por meio de Jesus Cristo, nos chama de filhos. Fala de um presente e de um futuro: aquilo que somos agora e aquilo que chegaremos a ser. Enquanto aguardamos essa plenitude, somos convidados a manter viva a nossa esperança em Cristo.
O Evangelho apresenta as bem-aventuranças como critérios fundamentais para a vida cristã. Jesus propõe um caminho radical: optar pelos pobres, pelos aflitos, pelos que buscam a justiça, pelos misericordiosos, pelos puros de coração, pelos que promovem a paz e pelos perseguidos por causa do bem. Para os primeiros cristãos, essas pessoas ocupavam um lugar prioritário em suas ações pastorais.
Hoje, como Igreja peregrina neste mundo, devemos perguntar-nos se vivemos essas opções. Que lugar ocupam em nossas pastorais as pessoas que experimentam essas realidades? Estamos sendo fiéis à mensagem de Jesus?
No fim, Deus nos reconhecerá pelo amor que tivermos vivido. Este é o momento de purificar nossas intenções e nossos gestos de amor, para que nosso amor reflita o amor de Jesus. Ele viveu uma opção radical e autêntica, tornando-se sinal perfeito do amor do Pai.
Pensamento do dia:
«As bem-aventuranças nos ensinam que a felicidade não se encontra naquilo que o mundo valoriza, mas na humildade, na misericórdia e na pureza de coração» (Instituto Coração de Maria de Chascomús, Argentina).