Consulta diaria


Primeira leitura: Gn 1,1 - 2,2: 
Deus viu tudo quanto havia feito e eis que tudo era muito bom.
Salmo:  Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R.30): 
Enviai o vosso Espírito Senhor, e da terra toda a face renovai.
Segunda leitura: Rm 6,3-11: 
Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais.
Evangelio:
Lc 24,1-12: 
Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?

 

 

No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo de Jesus, levando os perfumes que haviam preparado. Elas encontraram a pedra do túmulo removida. Mas ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus e ficaram sem saber o que estava acontecendo. Nisso, dois homens com roupas brilhantes pararam perto delas. Tomadas de medo, elas olhavam para o chão, mas os dois homens disseram: 'Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que ele vos falou, quando ainda estava na Galileia: 'O Filho do Homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia'.' Então as mulheres se lembraram das palavras de Jesus. Voltaram do túmulo e anunciaram tudo isso aos Onze e a todos os outros. Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. Também as outras mulheres que estavam com elas contaram essas coisas aos apóstolos. Mas eles acharam que tudo isso era desvario, e não acreditaram. Pedro, no entanto, levantou-se e correu ao túmulo. Olhou para dentro e viu apenas os lençóis. Então voltou para casa, admirado com o que havia acontecido.

Comentário

1a. leitura - Gn 1,1 - 2,2: Deus viu tudo quanto havia feito e eis que tudo era muito bom.
2a. leitura - Gn 22,1-18: O sacrifício de nosso pai Abraão.
3a. leitura - Ex 14,15-15,1: Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar a pé enxuto.
4a. leitura - Is 54,5-14: Com misericórdia eterna, eu o teu Senhor, compadeci-me de ti.
5a. leitura - Is 55,1-11: Vinde a mim, ouvi e tereis vida; farei convosco um pacto eterno.
6a. leitura - Br 3,9-15.32-4,4: Marcha para o esplendor do Senhor.
7a. leitura - Ez 36,16-17a.18-28: Derramarei sobre vós uma água pura e dar-vos-ei um coração novo.
8a. leitura - Rm 6,3-11: Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais.
Salmo - Sl 103,1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R.30): Enviai o vosso Espírito Senhor, e da terra toda a face renovai.
Salmo - Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3): Com alegria bebereis do manancial da salvação.
Salmo - Sl 15,5.8.9-10.11 (R.1a): Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!
Salmo - Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a): Eu vos exalto, ó Senhor, porque vós me livrastes!
Salmo - Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3): Com alegria bebereis do manancial da salvação.
Salmo - Sl 18,8.9.10.11 (R.Jo 6,68c): Senhor, tens palavras de vida eterna.
Salmo - Sl 41,3.5bcd;42,3.4 (R. 41,2): A minh'alma tem sede de Deus.

Lc 24,1-12: Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?
 

A) Oferecemos primeiramente um comentário bíblico-teológico tradicional.
A vigília pascal tem seu início com a experiência do fogo novo e a luz que com este fogo vai iluminando pouco a pouco o recinto sagrado. Nossa história tem sido de trevas e de morte, uma história que parece não poder ver um caminho de saída. Porém, do túmulo vazio surge a luz, da morte surge o fogo-luz anunciando que podemos acreditar na vida, que podemos encontrar o caminho em meio à escuridão, que a morte não é a última palavra para o homem. Pelo fogo novo, pela luz do Círio Pascal, pela lua cheia que ilumina o firmamento nesta noite pascal, começamos a experimentar em nossa vida as consequências da Ressurreição de Jesus.
As leituras nos conduzem da experiência da criação até o túmulo vazio, porque Ressurreição é agradecer os maravilhosos dons gratuitos de Deus que rodeiam nossa existência. É viver como o povo de Israel, a experiência da saída da escravidão para a liberdade, uma experiência que passa pelo contato com a água do Mar Vermelho e para nós passa pelas águas batismais; um caminho guiado pela coluna de fogo e pela nuvem que conduz Israel da experiência de morte à experiência da vida.

A Bênção do fogo novo
Em meio às trevas do pecado e da morte, a bênção do fogo novo tem como finalidade proporcionar a chama para acender o círio pascal, que representa a Cristo Ressuscitado. À medida que o círio avança vai iluminando o templo, e da chama do círio vão se acendendo as velas dos fiéis no templo; dissipam-se as trevas quando se propaga a salvação a partir do Ressuscitado. O Círio Pascal permanecerá o ano todo no templo, como símbolo memorial da celebração pascal.

A proclamação da Ressurreição
O canto do Precônio Pascal (Exultet) é o ponto culminante da liturgia da luz. Nele se proclama a propagação da luz no mundo que dissipa as trevas do pecado, guia os hebreus na saída do Egito, devolve aos homens a graça, a inocência aos caídos e aos tristes a alegria, desterra os ódios, prepara a concórdia e dobra o orgulho.

A Liturgia da Palavra
As diferentes leituras do Antigo Testamento permitem contemplar através da história de Israel como se propagou a luz salvífica desde a criação. Estas leituras nos recordam também que a história da salvação é nossa própria história e exortam ao compromisso de todos e cada um com esta história.

Primeira leitura, Gênesis 1,1-2,2a: A Criação
O primeiro relato da criação
Toda a criação é obra do amor de Deus Pai que quis preparar para o homem um lugar maravilhoso e adaptado à sua dignidade de imagem de Deus. Ao ser humano corresponde o compromisso de continuar e conservar esta criação.
Desde a nova cosmologia, e desde nossa sensibilidade eco-espiritual atual, esta leitura deveria assumir essa visão que a ciência nos deu sobre a natureza. Uma boa projeção, que percorra as etapas do desenvolvimento da cosmogênesis (são muitos e facilmente podemos encontrá-las na internet) pode substituir com vantagem a simples proclamação oral desta leitura.

Segunda leitura, Gênesis 22,1-18: O sacrifício de Isaac
A leitura da salvação de Isaac nos coloca frente às exigências da experiência de fé de Abraão: aceitar que somente Deus sabe como dirige a história da salvação. Da mesma maneira que para o povo de Israel, para nós nossa história se funda única e exclusivamente na vontade daquele que livremente dispõe da história, e em virtude dessa liberdade deixou Isaac viver.

Terceira leitura, Êxodo 14,15-15,1: A travessia do Mar Vermelho
Os israelitas eram escravos no Egito, eram um povo submetido a outro povo. Deus, porém, viu a miséria e a exploração do povo, escutou seus clamores e abre um caminho de salvação para o povo escravizado e salva a Israel do poder do faraó.

Quarta leitura, Isaías 54,5-14: Com misericórdia eterna o Senhor te ama
O Profeta Isaías nos descreve com belas figuras uma vida nova, essa nova criação que Deus Pai levou à plenitude em seu Filho Jesus Ressuscitado.
O canto do Glória
A alegria da comunidade pela ressurreição do Senhor se expressa com o hino do Glória, hino de ação de graças que o povo entoa ao mesmo tempo em que ressoam os sinos do templo e volta a escutar-se a música. Com o canto dos anjos estamos confessando que Jesus, o Messias que foi crucificado, continua vivendo porque foi ressuscitado por Deus que o glorificou para sempre.

Epístola, Romanos 6,3-11: Cristo ressuscitado dos mortos, não morre mais
Na carta aos Romanos o apóstolo Paulo nos ensina que pelo batismo também o cristão passa da morte para a vida. Esse mistério pascal de Jesus, mistério de morte e ressurreição é nosso próprio mistério, porque o cristão, por meio do batismo, está morto ao pecado e vivo para Deus. Em Cristo Jesus o cristão vive o mistério de Cristo morto e ressuscitado cada dia nos momentos de tristeza e alegria, de enfermidade e saúde, quando pecamos e sentimos que Deus Pai nos acolhe com misericórdia. Isso nós vivemos especialmente nos sacramentos. Cada sacramento que recebemos é uma reatualização do mistério pascal, e isto o vemos muito claro no texto da carta aos Romanos que acabamos de escutar.

Salmo 117,1-2.16-17.22-23
Somente sentimentos de gratidão a Deus se experimentam ao considerar sua obra em Jesus Cristo. A pedra angular do templo de Jerusalém reconstruído foi pedra de escândalo. Agora um universo novo construído sobre a pedra angular, Cristo, se estabeleceu no dia em que Cristo ressuscitou.

Evangelho, Lucas 24,1-12: Ele não está aqui. Ressuscitou!
A narrativa do túmulo vazio do Evangelho de Lucas põe na boca dos anjos vestidos de branco, o significado da Ressurreição de Jesus para as mulheres que foram ao sepulcro ao amanhecer do primeiro dia da semana, e para todos nós: não podemos buscar a Jesus entre os mortos, porque está vivo, no meio de nós. Cabe a nós descobrir o rosto de Jesus nas milhares de pessoas que passam pela rua, nas crianças tristes e desnutridas, nas mulheres que precisam de um pouco de pão para elas e seus filhos; no homem malcheiroso que está ao nosso lado na igreja, em todos os homens e mulheres que por diferentes caminhos buscam a Jesus.

O túmulo vazio não é uma prova da ressurreição de Jesus, mas uma pergunta que somente terá resposta quando se conseguir viver a experiência de Jesus ressuscitado.
Os apóstolos não acreditaram naquilo que as mulheres contaram. Entre os judeus as mulheres não eram pessoas dignas de crédito: muita mulher, muita mentira, se afirmava entre os judeus. Enquanto haviam vivido a experiência de Jesus vivo, Pedro comprova que o túmulo está vazio, se assombra, mas não conseguiu viver a experiência pascal.

A liturgia batismal
Que melhor ocasião para ser incorporados a Cristo e para fazer memória de nossa incorporação a ele, que a vigília pascal? A Vigília Pascal é também celebração batismal: celebramos os batizados, renovamos as promessas batismais.
Neste momento devemos ter na mente a melhor explicação do batismo que se possa dar, a que nos oferece o apóstolo Paulo na epístola aos romanos que se leu na liturgia da Palavra na vigília. São Paulo nos ensina que ser batizados significa passar com Cristo da morte para a vida e aponta as consequências éticas desta conformação com o destino histórico de Cristo: se morremos com Cristo, não devemos pecar mais, porque entramos numa nova vida.

A liturgia eucarística
Com os sentimentos de alegria que nos emocionam, compartilhamos a Eucaristia, por meio da qual realizamos o mandamento que recebemos do Senhor de fazer memória dele: Fazei isto em memória de mim.
A recordação que agora fazemos de Jesus, o Senhor, não consiste na pura evocação de uma história perdida no passado. Recordar agora significa para nós fazer a experiência da vida nova: Jesus, mesmo tendo morrido, vive para sempre. Jesus, assim ressuscitado, está vivo a partir de Deus, o Pai, no meio de todo o cosmos. Cada vez que repartimos este pão e este cálice, como irmãos, queremos comungar com a vida que Ele vive e Ele quer também para todos e para sempre.
No hemisfério norte, ao qual pertence o cenário da vida histórica de Jesus, a primavera chega agora à sua plenitude: estamos naquilo que se chama equinócio da primavera. A celebração da ressurreição de Jesus tem por isso sabor de primavera; a água fresca; a brotos que nascem por toda parte nas plantas; e perfume de flores de todas as cores. A natureza quer nos brindar também a impressão de um mundo no qual começa a germinar a vida nova. A celebração da ressurreição de Jesus acontece também no dia da lua cheia: é a festa da luz.
Com os cristãos de todos os tempos queremos ver amanhecer nesta ocasião um mundo novo, que poderá tornar-se realidade se nós assumirmos o projeto de Jesus de Nazaré, que é o evangelho. Deus é o fundamento da permanência da vida mesmo a partir da morte, de uma forma que não conhecemos, e que não podemos expressar.

B) Roteiro homilético de meditação bíblico-espiritual:
De madrugada, as mulheres foram ao sepulcro levando os aromas (Lc 24,1-12).
Assim começa o Evangelho desta noite de Páscoa: as mulheres são as que madrugam para ir ao sepulcro, com os aromas, símbolos do amor que sentem por Jesus; desejavam oferecer-lhe o perfume de seus corações.
Vêm para conservar o único que resta daquele por quem deixaram tudo desde a Galileia. As mulheres são guiadas ao sepulcro pelo amor, representado pelos aromas que levam, o amor é quem as guia até a porta do sepulcro. Encontraram “removida a pedra do sepulcro”. O sepulcro está vazio. Que nesta noite abandonemos também nossos sepulcros vazios.
Estas mulheres “encontram removida a pedra do sepulcro”. Entram e não encontram o corpo de Jesus... Elas se encontram com “dois homens com roupas brilhantes”, que lhes perguntam: “Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo?”. Os mensageiros, por meio de uma pergunta, convidam-nas a buscar o Ressuscitado no lugar adequado. Elas procuram o que morreu, e não ao vivente que é Jesus, visto que ainda não tiveram a experiência do Ressuscitado.
“Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou”. Jesus Ressuscitado deve ser buscado na vida, onde há vida. Não naquilo que está morto. E muitas coisas já estão mortas. Já não nos servem. Não devemos busca-lo já nos sepulcros vazios de sentido. Há muitas formas de viver e de funcionar que estão mortas, que não conduzem à vida. O Ressuscitado não deve ser buscado numa fé rotineira, vazia de experiência. Jesus não é um morto, está vivo e faz viver. Podemos nesta noite fazer uma opção pela Vida e pelo bem?
Por que procuramos entre os mortos aquele que está vivo? Por que então nos fechamos num sentimento de decepção, de fracasso e de desesperança perante a vida, se o Senhor vive, e não estamos sozinhos nem perdidos? Por que nos instalamos na tristeza frente ao futuro se a Vida venceu a morte?
Não está aqui. Ressuscitou. Esta é a palavra central da história, para todos os cristãos; a palavra que queremos cantar com alegria.
Jesus Ressuscitado está aí sempre como uma luz no meio das trevas do mundo. Está como um fogo que dá luz e calor em nossa noite. Celebrar a Páscoa é crer que nenhum ser humano vive abandonado, que nenhuma queixa cai no vazio, que nenhum grito deixa de ser escutado e que já não devemos “devorar” o tempo como se não houvesse mais nada. Podemos viver na confiança. Nossa vida tem sentido e é possível a alegria.
Por isso, hoje é a Festa da Vida, a Festa da esperança, de uma esperança que não engana e que enche de sentido nossa vida. Nosso coração está cheio de alegria nesta noite ao descobrir que a morte foi derrotada pela Ressurreição. Que se ponha fim, com a força de Jesus Ressuscitado, aos conflitos que continuam provocando destruição e sofrimento, e se alcance a paz e a reconciliação imprescindíveis para o desenvolvimento.
Que a Luz Pascal afugente as trevas do medo e da tristeza e rompa as cadeias da violência e do ódio, que a alegria se imponha sobre a tristeza, que a solidariedade prevaleça sobre a injustiça, que a esperança vença o desencanto. Este nosso mundo pode mudar: é possível a vida e a esperança: desde que tua sepultura, ó Cristo, foi encontrada vazia e te viram ressuscitado, começou o tempo em que a criação canta teu nome... Sustenta-nos no compromisso de construir um mundo mais humano e solidário. “Um mundo onde brilhe tua Justiça e tua Paz inunde a Terra”.
Cristo Ressuscitado, tu fazes possível que todas as noites, inclusive as noites de nosso coração, estejam cheias de claridade. Por isso, podemos dizer: Ó noite mais clara que o dia! Ó noite mais luminosa que o sol! Ó noite que não conhece as trevas! Ó Cristo, luz do mundo, acende nossas lâmpadas apagadas, rompe nossas cadeias e alenta em nós tua Vida Nova! Renova em nós o desejo de seguir-te sempre!

Santo do Dia
S. Hildegonda
? 1188 ? \"Hildegonda? quer dizer \"guerra?

Hildegonda passou a vida travestida de homem, sendo por todos conhecida por \"Irmão José?. Segundo seu biógrafo, o abade Engelhard, a mãe morreu ao dar à luz e o pai, temendo pela sua vida, fez a promessa de levá-la em peregrinação à Terra Santa. Por segurança, vestiu-a com roupas masculinas e lhe deu o nome de \"José?. Com a morte do pai, ficou à mercê da sorte, só conseguindo a duras penas regressar à terra natal, Colônia. Na guerra de Barba Roxa contra o papa Lúcio III, o bispo de Colônia o enviou a Roma com a incumbência de fazer chegar ao papa informações secretas no oco de um bastão. Cumprida a missão, retornou ao mosteiro de Schoenau, onde faleceu em 1188. Ao preparar o corpo para o sepultamento, descobriram sua verdadeira identidade.